A menos de um mês
atrás eu estava sentada me recuperando na frente da casa do Claudio dos meus
primeiros 16km e um grupo de jacarés pulava e cantava 21! 21! 21! 21! ...
Talvez afetada pela
empolgação da endorfina eu disse sim, mesmo pensando que era uma loucura,
afinal fazem pouco mais de três meses que eu fiz a minha primeira prova de
10km, mas saber que a Tati Rabitto e a Suzane também estariam encarando a
primeira meia maratona e que a prova é quase plana me deu coragem de tentar
junto com elas.
E foi assim que
começou nossa primeira meia maratona, para mim. Depois disso foi apenas mais um
treino de 16km e “seja o que deus quiser”.
A meia maratona de
Floripa teve presença bonita dos jacarés: Alcione nos 5km, Maria Luisa nos 10km,
Claudio, Fabiano, Anderson Quevedo, Rudival, Wellington, Celinha, Claudia
Ribas, Elisangela, Tati Rabitto, Suzane e eu nos 21km. A maior parte do grupo
ficou hospedada em Balneário Camboriu na casa do presidente, onde fomos muito
bem acolhidos. Chovia desde sexta-feira e já era prevista a chuva durante a
prova também.
Segundo soube, eram
cerca de 6000 participantes de vários lugares do Brasil concentrados as 7:00h
na Beira Mar Continental. Houve uma ventania na madrugada que derrubou algumas
placas e por conta disso a largada atrasou quase 15 minutos. O percurso de 21km
sairia da parte continental de Florianópolis, cruzaria para a ilha, manteria na
Beira Mar por mais cerca de 8km e voltaria pela mesma avenida. A prova tinha
poucas subidas, apenas as subidas de acesso à ponte. No horário da largada não
choveu, mas poucos minutos depois uma garoa forte começou e nos acompanhou
durante toda a prova. A temperatura estava agradável, na casa dos 20 graus. Os
postos de hidratação estavam a cada 2km aproximadamente e foi oferecido
isotônico no 11km. Prova bem sinalizada e organizada, não vimos nenhum
contratempo.
Eu tinha intenção de
manter um pace de 7min/km. E assim foi. Corri com uma tranquilidade que nunca
eu havia sentido antes, mantendo a respiração sob controle e sem me preocupar
com o tempo. Percebi que estava até um pouco melhor do que eu imaginava. Logo a
Suzane me encontrou e nos mantivemos correndo próximas durante quase a prova
inteira, cada uma no seu ritmo. Próximas do 9km avistamos os jacarés mais rápidos
que já estavam voltando e os saudávamos. Completamente molhadas, corríamos sem
muita pressa, apenas querendo chegar no final, não importava quando e em que
posição.
A música me ajudava a
distrair e curtir. Correr ouvindo Kashmir do Led Zeppelin marcou demais. Pra
quem gosta de correr ouvindo música, super indico.
Os quilômetros iam
ficando para trás... 5, 8, 10, 13, 16, 18... e enfim tínhamos na nossa frente a subida da ponte, o
último desafio. Ali me distanciei um pouco da Suzane e faltando pouco mais de
1km o Fabiano que já havia concluído muito bem a sua prova em 1:46’ (parabéns
marido!) veio me buscar. A presença dele me deu novo ânimo e continuamos
firmes. Senti apenas uma leve dorzinha na virilha direita, mas totalmente
suportável. As pessoas na rua iam dando força pra gente, e o meu sentimento era
de felicidade por estar concluindo uma distância que a poucas semanas eu
julgava incapaz de correr. Faltavam alguns poucos metros e eu consegui
encontrar forças para um sprint final até cruzar a linha em 2:28’. Logo em
seguida chegou a Suzane, que mandou muito bem na sua estreia. Todos os demais
jacarés já tinham concluídos suas provas, exceto a Tati Rabitto. O Fabiano e o
Claudio voltaram até a ponte para encontrá-la e nós ficamos próximos à chegada
à espera deles. Quando chegaram escoltados pelas ambulâncias, com muita emoção
acompanhamos a Tati até a linha de chegada, que vinha com muita dificuldade,
pois estava sentindo dores. Todos aplaudiam e davam forças aos jacarés ali
correndo juntos com a última integrante da equipe. Foi emocionante. O locutor
nos mencionou e também vibrou com a chegada. Nos abraçamos e choramos... a Tati
se sentiu frustrada por não ter concluído como
esperava, mas foi muito GUERREIRA. Ela começou a sentir dores no joelho
no 8km e assim ela correu até os 21km sem desistir. Só de lembrar dessas cenas
eu choro.
Nem tenho palavras,
ainda estou curtindo a conquista. Muito agradecida por fazer parte desta
equipe, pelos amigos. Pelas meninas que nos acompanham nos treinos, em especial
a Elisangela que é super parceira, tem um bom humor incrível e fez uma ótima
prova e a Claudinha Ribas que foi muito guerreira ao concluir esta prova mesmo
estando preocupada e machucada num tempo fantástico. O Claudio tão zeloso,
cuida de cada um de nós como se fosse um pai. Parabéns a todos que concluíram a
prova embaixo de frio e chuva. Sem palavras! Obrigada amigos! É um privilégio
conviver com vocês e dividir estes momentos tão especiais.
Até o próximo
desafio!











