
Às 04:00 horas da manhã o despertador me acorda como a dizer,
levanta que Deus lhe agraciou com mais um dia de vida. O dia está em preto e
branco, fica a seu critério colori-lo para torná-lo lindo, porque maravilhoso
ele já é pelo simples fato de ser mais um dia. Às 05:15 h lá vou eu feliz como
uma criança me encontrar com a minha amiga de Equipe e corrida Aparecida de Fátima,
um hábito que já se tornou costume, local de encontro de Jacarés é na casa da
família do nosso presidente Claudio Guras. A Fátima chegou as 05:40 h, acompanhada
da nossa conhecida e também atleta Rosangela Duwe. Iríamos correr atrás de mais
um desafio. Eu tinha certeza que o desafio era enorme, mas confesso que
não imaginava que meus limites seriam colocados à prova em todos os sentidos. Chegamos
com um bom tempo de antecedência para fazermos todos os procedimentos que
são necessários antes de uma corrida. Quero pedir a atenção para que os
leitores se atentem ao que estou escrevendo, tendo em vista que os relatos
abaixo citados se referem a minha pessoa. A pessoa do senhor RUDIVAL GOMES. Feito a vistoria dos ítens obrigatórios para
uma corrida de montanha, as 08:00 horas é dada a largada. Saí no meu ritmo
normal de corridas e nem tem como sair diferente, porque não tenho como impor
um ritmo mais forte rsrsrs. Corri uns trezentos metros aproximadamente na
estrada de chão e já entramos numa trilha. Neste momento tudo perfeito, todos
os atletas fazendo gracinhas e um atrás do outro em uma fila indiana
tendo em vista que ultrapassar o companheiro da frente era perigoso para
ambos, com riscos de uma queda com faturas. Eu correndo preocupado com o
corte da corrida, que se daria com 3 horas, no Km 13. Até o Km 10 eu
estava bem, graças a Deus, neste mesmo Km tinha um posto de hidratação com
frutas, água e outras guloseimas para os que acham que correr com a barriga cheia
faz a pessoa correr mais rsrsrs. Um
detalhe que eu já tinha observado do Km 8 ao km 10, tem uma forte descida, e
como diz o ditado o que você desce em uma corrida vai ter que subir. No Km 10
também havia um controle muito bem feito dos atletas para impedir que os maus
intencionados não fossem até lá e com isto vindo a cortar caminho. Quando
cheguei no Km 10, perguntei qual o tempo da corrida porque através desta
informação eu já teria uma noção se chegaria ou não no Km 13 em tempo antes do
corte. Tempo de 01h:45m, tudo perfeito para uma corrida de montanha, um tempo
maravilhoso, sendo que nos meus treinos para maratonas 10 Km eu faço com o
tempo de 01h:15m. De agora em diante meus limites seriam levados à prova em
todos os sentidos eu sabia que teria 2 Km de subidas. Vamos lá Rudival, você está bem, voce é o cara, etc. etc. ,etc.... Sempre falei que não sou melhor do que
ninguem, mas procuro estar sempre entre os melhores, e esta corrida
sem duvida nenhuma me mostrou e me deu a certeza de que não sou melhor do que
ninguém. Iniciei a subida andando, fato este que ali era normal para todos os
atletas, pois até mesmo a elite andou naquele trecho. Entre andando e correndo,
cheguei no Km 13 às 12:30 h de corrida, Ufa que alívio, agora será moleza, só
faltam 10 Km...Moleza???,kkkkkk Eu estava simplesmente enganado e seria a
partir daquele momento que eu me descobriria realmente como atleta, e
perceberia que se eu não estivesse realmente no melhor do meu preparo físico,
teria ido parar um hospital. Na realidade meu organismo já estava sendo minado
quando iniciei a subida do Km 10, ali escondido, sem que eu percebesse meu
inimigo estava agindo silenciosamente em meu corpo. Este inimigo chama-se
"ALTITUDE" e para simplificar do Km 10 ao Km 16 é praticamente só
subida. Meu Deus que luta, que dificuldade, que desânimo, que vontade de parar,
quanta falta de ar, que dor de cabeça. Não me lembro de ter sentado em uma
corrida e nesta não me envergonho de falar que sentei várias vezes, o pior que
eu sempre falo, sentar não é o problema, o problema é levantar depois. Quando
sentamos em uma corrida, com certeza, chegamos ao nosso limite. Ontem entre o
Km 13 e o 16 eu sentei várias vezes. Olhava para cima aquela montanha imponente
toda cheia de encantos,de mistérios e beleza a zombar de mim, me dizendo: Aí
guerreiro eu sou o seu limite, o ar que você tanto precisa para viver e o ar
que está lhe faltando e que está fazendo com que você não consiga chegar até
meu topo..rsrs. Penei, sofri, tive
vontade de tudo, até mesmo de fazer aquela necessidade fisiológica que não
posso mencionar aqui, e o pior não tinha nada, já tinha feito antes da corrida,
rsrssrs, Tamanho foi o estrago que a altitude de 1.675
metros acima do nível do mar fez em meu corpo. Ainda durante a subida da
montanha, eu estava tã mal ,mas tão mal que não passava ninguém por mim sem
perguntar se eu precisava de ajuda. Em um determinado momento passou uma atleta
e perguntou como eu estava e eu falei que minha cabeça iria explodir de tanta
dor, conheço os efeitos da altitude, estava com medo de que começasse a sair
sangue pelo nariz. Aí ela falou que tinha um remédio para dor de cabeça e me
deu. Finalmente cheguei no topo da montanha e do jeito que eu estava não quis
nem olhar a paisagem, queria sim descer logo dali para respirar melhor. Já não
tinha mais noção do tempo, pensava comigo que logo os bombeiros estarão me
procurando e acho que não vou chegar, ou quando eu chegar lá foram todos já
foram embora, Acredito que a estas alturas eu já estava tendo princípios de
delíbrios pelos efeitos da altitude. Iniciada
a descida, aos trancos e barrancos, correndo onde podia correr e andando onde
tinha que andar, graças a Deus cheguei no final da corrida com 05 horas e 12
minutos e o locutor estava pegando em minha mão para me parabenizar por ter
terminado a corrida ,e eu ouvia a voz dele como se estivesse falando comigo
dopado...rsrsrs Na realidade quem estava
dopado de extremo cansaço era eu. Nesta corrida cometi um grave erro, eu estava
em férias na Bahia e treinei como sempre o faço, uma media de 200 Km de treinos
durante o mês. Treinos estes feitos ao nível do mar. Aí retorno das ferias e já
de cara vou participar de uma corrida de montanha. Só mesmo um louco, burro ou
irresponsável para fazer isto. Nesta corrida naqueles momentos difíceis pelos
os quais estava passando, tive tempo para pensar e me analisar, não como um atleta
mas sim como pessoa ,e cheguei a conclusão que não mais farei corridas de
montanha. Falando por mim, para minha pessoa a corrida de montanhas não me
acrescenta qualidade de vida, pelo contrario, ela tira minha qualidade de
vida. Cito como exemplo esta corrida, uma prova de 23 Km que eu levei 05horas
e12 minutos para concluir e de extremo desgaste físico, tendo em vista que uma
das Maratonas mais difíceis que participei foi a de Caxias do Sul, na serra gaúcha,
com o tempo de 0h5:30m e a das Cataratas de Foz do Iguaçu com o tempo de 05h:15m.
Respeito a todos que praticam qualquer tipo de esporte e ao mesmo tempo os
parabenizo, mas tenho que saber o que me acrescenta como qualidade de vida, e o
que poderá me causar prejuizos. Quero aqui deixar meus parabéns para as jovens
senhoras APARECIDA DE FÁTIMA RIBEIRO e ROSANGELA DUWE, pelo segundo lugar
em suas categorias. Igualmente aproveito a oportunidade para agradecer aos
organizadores da T.R.C. pela excelente organização
nas corridas feitas por eles, que os mesmos continuem assim pois estão
caminhando rumo ao sucesso. Meu muito obrigado a todos os atletas
que abrilhantaram esta corrida dando a ela um toque de beleza com as suas
presenças.
Carinhosamente um abraço à todos os leitores.